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O desenvolvimento da arte marcial antiga
(da Dinastia Xia até as Cincos Dinastias, do século 21 a.C. ao século 10)

 

Na Dinastia Qin, a etnia Hun ao norte da China já era muito poderosa. Com freqüência, eles desciam para invadir o sul. Na Dinastia Han (206 a.C. - 220 d.C.), a etnia Hun virou a ameaça principal na fronteira. Para lutar contra Hun, a Dinastia Han estabeleceu exército de cavalaria. E para facilitar a luta, substituiu-se a espada pela faca, a faca virou aí a arma principal do exército.

O desuso da espada no campo de batalha não a deixou esquecida. Ao contrário, a esgrima virou mais favorita na sociedade: o imperador e os funcionários públicos graduados andavam armados com a espada, mesmo os intelectuais sentiam-se orgulhosos por saber a esgrima. Han Shu - o Livro de Han, documentou 38 artigos sobre a técnica da esgrima da época. É pena que esses artigos se perderam na história.

A técnica de atirar com arco e flecha avançou também nesta época. Diversas obras sobre a técnica e as teorias relevantes surgiram.

Nas Dinastias do Norte e do Sul (420 - 589), a atmosfera era diferente no Norte e no Sul. No Sul a elite procurava uma vida confortável e se divertia muito, a arte marcial foi esquecida e a sociedade enfraqueceu. No Norte, por causa da invasão constante das etnias nômades, a pratica de arte marcial era comum. O Templo de Shao Lin, que tem um papel importantíssimo no desenvolvimento da arte marcial, foi construído nesta época no Norte.

Nesta época, o método de manter a boa saúde começou a ser levado em consideração. Ge Hong (284 - 364), mestre neste campo, levantou uma ideologia de combinar os movimentos do corpo com os exercícios de pensamento e de Qi, para realizar uma pratica completa. Sua ideologia foi importante na formação da característica da arte marcial chinesa: "praticar o interior e o exterior (do corpo), cuidar de ambos a aparência e o espírito". "Praticar o interior e o exterior" significa que o exercício das artes marciais inclui duas partes: o exercício exterior que fortifica o músculo, o osso e a pele, e o exercício de Qi - o exercício interior para fortificar os órgãos interiores. "Cuidar de ambos a aparência e o espírito" quer dizer que a pratica de artes marciais cobre dois aspectos: o físico e o espiritual.

A Dinastia Tang (618 - 907) foi um período de grande prosperidade na história da China, depois de mais de 300 anos de caos de guerras. As guerras a longo prazo trouxeram um avanço para a teoria militar. Um dos 7 obras mais influentes sobre a teoria militar, "As Perguntas e Respostas de Li Wei Gong", nasceu nesta época. Esta obra é um sumário de experiências bélicas, do fundador da Dinastia Tang: Li Jing.

A guerra também promoveu técnicas complicadas de combate. A faca substituiu totalmente a espada neste período, e tornou-se a arma principal da guerra. Múltiplos tipos de facas existiam e a técnica de combate com faca se desenvolveu paralelamente.

No início da Dinastia Tang, o governo chinês adotou um sistema de serviço militar: o Sistema de Fu Bing. Nas estações agrícolas livres, os agricultores participavam do treinamento militar; no período pacífico, eles guardavam a fronteira ou a capital alternativamente; e se houvesse guerra, eles prestavam o serviço militar no campo de batalha. Este sistema de serviço militar espalhou a arte marcial amplamente entre o povo.

Em 702, a imperatriz Wu Zetian estabeleceu o sistema de Wu Ju, que selecionou oficiais militares através de prova. A prova consistia de 7 partes, entre as quais, as técnicas de usar lança e de arco-e-flecha, e a prova de força eram os mais importantes. Apesar de os oficiais militares receberam postos mais inferiores que os intelectuais selecionados pelo Sistema de Exame Imperial, o sistema de Wu Ju prometia a padronização da arte marcial militar e oferecia um trampolim para as pessoas que praticavam as artes marciais. Depois da Dinastia Tang, as Dinastias Song, Ming e Qing herdaram o Sistema de Wu Ju e adaptaram somente o conteúdo da prova de forma apropriada para si.

Ao mesmo tempo, a arte marcial continuava a se desenvolver como uma diversão entre o povo, especialmente a esgrima sofisticada. Muitos esgrimistas famosos da história viveram nesta época. A dança de espada da mesma época também alcançou um alto nível artístico. Apesar destas danças terem muito aperfeiçoamento artístico e serem bem diferentes da dança de espada baseada na defesa e no combate que vieram mais tarde, elas deram um passo importante na história do desenvolvimento da arte marcial.

Até este momento na história (cerca do século um), a arte marcial chinesa formou sua forma embrionária ao longo do desenvolvimento militar. A arte marcial já teve duas partes: a parte de combate e a de diversão. Mas ela não estava madura: houve partes que ainda não se separaram da arte marcial militar, houve partes que tendiam muito à dança e eram artísticas demais. A arte marcial ainda não tinha seu próprio sistema de teoria.

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