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Zhao Gu Niao - o pássaro que procura a cunhada - O Cuco
 

Muitos anos atrás, havia uma mulher velha, ela tinha um filho e uma filha. O filho se casou, e pouco tempo depois do casamento, ele saiu da casa para fazer negócios. A velha vivia com sua filha e sua nora, mas ela gostava somente da filha e tratava a nora muito mal.

Olhando para a filha, ela sempre falava: "Minha filha, coma mais um pedaço de panqueca, tome mais sopa de arroz."

A filha sempre dividia a panqueca com a cunhada, mas a velha se virava e falava para a nora: "Você come tanto, toma tanto, nunca tenho suficiente para você."

E o problema para a nora não era somente a falta de comida e de roupa, a velha batia nela e a maltratava com freqüência.

Uma vez, a velha criou muitos bichos-de-seda, tantos que não dava para contar. Toda madrugada, a velha forçava a nora a subir os montes para colher folhas de amoras para alimentar os bichos-de-seda. Dia a dia, as amoreiras no monte estavam ficando sem folhas.

Mas os bichos-de-seda cresciam muito e exigiam cada vez mais comida. Em abril, os corpos deles começaram a brilhar, eles estavam quase prontos. A nora espalhava uma camada de folhas de amoras em cima dos bichos-de-seda, "Xa...xa...xa...", as folhas acabavam; ela espalhava uma outra camada, "Xa...xa...xa...", as folhas acabavam...

Um dia, a velha sogra maltratou de novo a nora: "Uma nora é igual a um cavalo que a gente compra, pode andar no cavalo, pode bater nele, como quiser. Se hoje você não voltar com suficientes folhas de amoras, vou bater em você."

A velha viu bem que a nora saiu da casa, ela se virou, e viu que a filha estava trabalhando nos bichos-de-seda. Ficou com muita pena, e falou: "Minha boa menina, descanse! Deixe as coisas para sua cunhada. Você tem fome? Está com sede? Tenho ainda panquecas e sopa de arroz para você."

A filha da velha era muito linda, mas sendo diferente da mãe, ela tinha um bom coração. Ela amava sua cunhada e tinha muita pena dela. Ouvindo o que a mãe disse, ela respondeu: "Sou um ser humano igual a minha cunhada, por que não posso fazer as coisas, e tenho de deixá-las para minha cunhada!"

A velha ficou muito brava por que a filha não obedeceu. Queria bater nela, mas já sentiu dor dentro de si quando pensou nisso; queria maltratá-la, mas já ficou com pena antes de abrir a boca. Ficando brava, mas sem saber o que a fazer, batendo as mãos, e ela saiu de casa.

A nora subiu os montes, andou procurando amoreiras. Meio dia se passou, ela achou somente algumas folhas. O sol já estava bem alto sobre a sua cabeça, a nora se sentou no chão e começou a chorar.

Em casa, a filha tinha terminado seu trabalho, e ficou preocupada com a cunhada, pensou: "Não me sinto normal hoje, meu coração bate tão rápido, talvez minha cunhada esteja com fome, talvez ela esteja se sentindo mal." Ela pegou algumas panquecas, levou um copo de sopa de arroz, e subiu o monte.

Logo ela via que sua cunhada estava chorando ao lado do caminho, ela chegou perto e pegou a mão da cunhada e falou: "Minha irmã, não chore. Se você está com fome, trago panquecas para você; se você está com sede, tenho sopa de arroz."

A cunhada chorou: "Minha irmãzinha, se eu estivesse com fome, poderia comer ervas comestíveis; se eu tivesse sede, poderia tomar a água do rio. Mas ando pelos montes, e vejo somente carvalhos. Se não achar suficientes folhas de amoras, como mamãe vai me receber!"

A filha da velha limpou as lágrimas da cunhada, penteou os cabelos dela, e disse: "Minha irmã, não chore. Coma as panquecas, tome a sopa, aí a gente procura juntas." Ela forçou a cunhada a comer um pedaço de panqueca, a tomar um pouco da sopa, e a acompanhou na procura.

Elas atravessaram os rios, e andaram por todos os montes, mas não encontraram nenhuma amoreira, o que elas viram, eram só carvalhos.

Vendo que o sol estava se pondo, a nora disse: "Minha boa menininha, a noite está caindo, os lobos estão saindo das cavernas, os tigres estão vindo. Você vai para casa."

A filha respondeu: "Minha irmã, a noite está caindo, os lobos estão saindo das cavernas, os tigres estão vindo. Você vai comigo para casa."

A nora olhou no cesto vazio e disse: "Sua irmã vai esperar aqui. Talvez o Deus do monte tenha pena de mim e torne os carvalhos em amoreiras."

"Vamos esperar juntas. Talvez o Deus do monte tenha pena da gente e torne os carvalhos em amoreiras."

 

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